O que faz um SDR, e em que é diferente de um closer
Separar quem abre conversas de quem as fecha é a primeira divisão de trabalho que faz diferença numa equipa comercial. E é também a que mais vezes é feita cedo demais.
Um SDR — Sales Development Representative — abre conversas. Prospeta, contacta a frio, qualifica e marca reuniões. Não fecha: quem fecha é o closer. A divisão existe porque as duas tarefas exigem ritmos opostos, e quem tem de fazer as duas no mesmo dia acaba por fazer só a que lhe custa menos.
Essa última frase é a razão prática de tudo o que vem abaixo. Um comercial que prospeta de manhã e fecha de tarde vai, invariavelmente, deixar de prospetar quando tiver negócios em cima da mesa. E depois do mês bom vem o mês vazio, porque ninguém encheu o topo do funil.
Quem faz o quê numa equipa comercial
Os nomes variam de empresa para empresa. O que não varia são as quatro tarefas.
| Função | O que faz | Como se mede | Em que falha quando acumula |
|---|---|---|---|
| SDR | Qualifica quem chega (inbound) e marca reuniões | Reuniões qualificadas marcadas e realizadas | Deixa leads a arrefecer se também tiver de fechar |
| BDR | Prospeção a frio: abre portas em quem nunca ouviu falar de ti | Contactos feitos e conversas abertas | Para de prospetar na primeira semana cheia |
| Closer | Conduz a reunião e fecha o negócio | Taxa de fecho e valor médio | Enche a agenda de reuniões fracas se também marcar |
| Gestor de conta | Mantém, renova e cresce o cliente que já existe | Retenção e receita por cliente | Perde renovações se for puxado para vendas novas |
A diferença entre SDR e BDR é a origem do contacto, não a senioridade. O SDR trabalha quem já levantou a mão; o BDR vai buscar quem não sabe que existes. São trabalhos emocionalmente diferentes — um lida com interesse, o outro com indiferença — e nem todos servem para os dois.
O dia de um SDR
Um SDR com o trabalho organizado tem o dia dividido em blocos, não espalhado. A razão é simples: prospetar exige entrar num ritmo, e cada interrupção obriga a entrar outra vez.
- Bloco de contacto — chamadas e mensagens seguidas, sem abrir o email no meio.
- Bloco de seguimento — quem já respondeu, quem ficou a meio, quem pediu para ligar depois.
- Bloco de preparação — construir a lista de amanhã e registar o que aconteceu hoje.
O que não aparece nesta lista, e devia aparecer no dia: ouvir chamadas próprias. Um SDR que nunca se ouve não melhora, porque não sabe o que faz.
Quantas chamadas deve fazer um SDR por dia?
Não há número universal, e qualquer número que te apresentem sem saber o teu ciclo de vendas é inventado. O número certo sai de uma conta feita ao contrário.
Parte do objetivo: quantos clientes novos queres por mês. Divide pela tua taxa de fecho — se fechas um em cada quatro, precisas de quatro propostas por cliente. Divide pela taxa de reuniões que geram proposta. Divide pela taxa de contactos que geram reunião. O que sai no fim é a actividade diária necessária.
Se o número que sair for impossível de executar por uma pessoa, encontraste algo mais importante do que uma meta de chamadas: ou a taxa de conversão tem de subir, ou o alvo está errado, ou é preciso mais gente. A conta diz-te qual.
Quando faz sentido contratar o primeiro SDR
A pergunta certa não é "já temos dimensão?". É "já existe o que entregar a essa pessoa?".
Faz sentido quando três coisas já estão verdadeiras: existe um processo escrito que descreve a quem ligar e o que dizer; existe alguém que consegue fechar o que o SDR marcar; e existe forma de medir o que ele faz. Falhando alguma, o SDR entra para adivinhar — e a adivinhar ninguém chega a resultado em três meses.
O erro inverso também existe: empresas com dois comerciais a fazer tudo, já com volume de leads suficiente, que não separam as funções por acharem que "ainda é cedo". Nesses casos a prospeção simplesmente não acontece, e o crescimento fica dependente do que entra por sorte.
Porque é que os SDRs duram pouco
A rotatividade nesta função é alta, e quase sempre por motivos evitáveis. Três dominam.
Não há caminho à frente. Ninguém quer ser SDR durante quatro anos. Se a função não tiver uma progressão desenhada — para closer, para gestor de conta, para liderança de equipa — a saída é a única progressão disponível.
Mede-se o resultado em vez da actividade. Cobrar fecho a quem não fecha é injusto e desmotiva em duas semanas. O SDR responde por reuniões qualificadas realizadas, não por contratos assinados.
Ninguém ouve as chamadas. É a função mais ingrata da equipa e a que recebe menos acompanhamento. Trinta minutos por semana a ouvir chamadas com o SDR vale mais do que qualquer formação em sala.
Perguntas frequentes
O que significa SDR?
SDR é a sigla de Sales Development Representative, ou representante de desenvolvimento de vendas. É a pessoa responsável por abrir e qualificar conversas comerciais e marcar reuniões para quem fecha. Não conduz a negociação nem assina contratos: entrega reuniões qualificadas a um closer ou ao responsável comercial.
Qual é a diferença entre SDR e BDR?
A origem do contacto. O SDR trabalha sobretudo quem já demonstrou interesse — leads que chegaram por marketing, formulário ou recomendação. O BDR faz prospeção a frio, em empresas que nunca ouviram falar de ti. São trabalhos diferentes: um lida com interesse morno, o outro com indiferença total.
Um SDR precisa de experiência em vendas?
Não necessariamente, e é uma das poucas funções comerciais onde contratar sem experiência funciona bem. O que é preciso é resistência à rejeição, clareza ao telefone e disciplina para repetir a mesma tarefa todos os dias. O resto ensina-se, desde que exista processo escrito e alguém a ouvir chamadas.
Quantas chamadas deve fazer um SDR por dia?
Depende do teu ciclo de vendas, e qualquer número dado sem o conhecer é invenção. Faz a conta ao contrário: clientes que queres por mês, dividido pela taxa de fecho, pela taxa de reuniões que geram proposta e pela taxa de contactos que geram reunião. O resultado é a actividade real necessária.
Quando devo contratar o primeiro SDR?
Quando já tens processo escrito a dizer a quem ligar e o que dizer, alguém capaz de fechar o que ele marcar, e forma de medir a actividade dele. Sem essas três coisas, a pessoa entra para adivinhar e não chega a resultado nenhum nos primeiros três meses.