Follow-up: quantas vezes contactar antes de desistir

A maior parte dos negócios perdidos não vai para a concorrência. Fica por responder. E o número certo de tentativas não é um número redondo tirado de um blog — sai da tua taxa de resposta.

Martim Francisco CEO da BoomLab · · 7 min de leitura

Um follow-up não é lembrar o cliente de que existes. É trazer-lhe algo novo de cada vez que o contactas. A diferença entre as duas coisas é o que separa insistir de perseguir — e é por isso que a maioria das cadências morre à terceira tentativa, quando o comercial fica sem nada para dizer.

É aqui que se perde mais dinheiro numa operação comercial. Não no fecho, não na prospeção: no espaço entre a proposta enviada e a resposta que nunca chegou. Negócios que estavam a 80% do caminho feito e ficaram parados porque ninguém voltou a tocar neles.

Insistir e perseguir não são a mesma coisa

O comercial que evita o follow-up costuma justificar-se da mesma maneira: "não quero ser chato". E tem uma intuição correcta sobre um comportamento errado.

Perseguir é contactar sem motivo. "Só a confirmar se recebeu", "a dar um toque", "ainda em cima deste assunto" — três mensagens que dizem ao cliente que o problema é teu, não dele. Nada nelas lhe dá razão para responder.

Insistir é contactar com motivo. Um caso parecido ao dele, um prazo que se aproxima, uma pergunta concreta que ficou sem resposta, uma alteração que faz a proposta encaixar melhor. Cada contacto acrescenta uma peça — e essa é a regra que decide se podes voltar a contactar.

Uma cadência que funciona

O que se segue é uma estrutura, não uma receita. O princípio que a torna sólida: alternar canais e nunca repetir a mensagem.

QuandoCanalO que acrescenta
Dia 0Chamada ou reuniãoA proposta, e um compromisso de data para decidir
Dia 2EmailResumo escrito do que ficou combinado e a data acordada
Dia 5ChamadaPergunta concreta sobre uma dúvida que ficou em aberto
Dia 9Email ou LinkedInUm caso de um cliente parecido, com resultado
Dia 15ChamadaPergunta direta: isto continua a ser prioridade?
Dia 25Email de encerramentoFechar o assunto e deixar a porta aberta

Repara no dia 0. A coisa mais eficaz que podes fazer pelo teu follow-up não é escrever melhores emails: é sair da reunião com uma data combinada para a decisão. Um negócio com data tem follow-up natural. Um negócio sem data depende de insistência pura.

Quantas tentativas, então?

O número que importa não é quantas tentativas fazes — é a partir de qual delas deixam de valer a pena. E isso mede-se.

Durante um trimestre, registas duas coisas em cada negócio fechado: quantos contactos foram feitos, e em que contacto veio a resposta que desbloqueou. Ao fim de trinta ou quarenta negócios tens a tua resposta, e não a de ninguém.

O padrão que quase todas as equipas encontram quando faz este exercício pela primeira vez é o mesmo: uma parte significativa dos fechos vem depois do contacto em que o comercial costumava desistir. Não porque insistir seja mágico — porque o cliente estava ocupado e o negócio estava em quinto lugar na lista dele.

O email de encerramento

A última mensagem da cadência é a que tem melhor taxa de resposta, e é também a que menos gente usa. É um email curto que diz, sem rodeios, que vais deixar de insistir.

Funciona por dois motivos. Primeiro, retira a pressão: o cliente que estava a evitar dizer "não" fica com uma saída limpa. Segundo, cria um prazo real — e algumas pessoas só respondem quando perceberem que a porta vai fechar.

O que não deve ter: culpa, ironia, nem a expressão "visto que não obtive resposta". Agradecer o tempo, dizer que ficas disponível, e não voltar a contactar durante uns meses.

O follow-up depois de um "não"

Um "não" hoje é quase sempre um "não agora". As razões mais comuns — não é prioridade, não há orçamento este ano, mudou alguém na equipa — todas têm data de validade.

O que esta parte exige é a única coisa que a maioria das operações não tem: um sítio onde os "nãos" ficam com data de revisão. Negócio perdido em outubro com motivo "orçamento", volta à lista em janeiro. Sem isso, perder um negócio significa esquecê-lo.

E é a lista mais barata que tens. Estas pessoas já te conhecem, já ouviram a proposta, já sabem o preço. Um contacto a elas custa uma fracção do que custa abrir uma conversa nova.

O que mede se o teu follow-up está a funcionar

Dois números bastam. O primeiro é a percentagem de negócios em aberto sem próximo passo agendado — se for alta, não tens cadência, tens boa vontade. O segundo é o tempo médio desde o último contacto em cada negócio aberto, que mostra onde estão os negócios a apodrecer sem ninguém notar.

Perguntas frequentes

Quantas vezes devo fazer follow-up a um cliente?

Até ao ponto em que os teus próprios dados mostram que deixa de compensar, e esse ponto mede-se. Registas, durante um trimestre, em que contacto veio a resposta que desbloqueou cada negócio fechado. Ao fim de trinta negócios tens o número real da tua operação, em vez de uma média de outra pessoa.

Qual deve ser o intervalo entre contactos?

Curto no início e cada vez mais espaçado: dois dias, depois três, depois quatro, depois uma semana. O princípio é alternar canais entre chamada, email e LinkedIn, e nunca repetir a mesma mensagem. O mesmo texto duas vezes diz ao cliente que não há nada de novo para lhe dizer.

O que escrever num email de follow-up?

Alguma coisa que ele ainda não sabe. Um caso de um cliente parecido, uma pergunta concreta que ficou em aberto, um prazo que se aproxima. Mensagens do tipo "só a confirmar se recebeu" não dão razão nenhuma para responder, e são a causa mais comum de cadências que morrem à terceira tentativa.

É melhor ligar ou enviar email no follow-up?

Os dois, alternados. O email serve para deixar registo escrito e acrescentar material; a chamada serve para obter decisão, porque é muito mais difícil não responder a uma pergunta direta feita em voz. Cadências só de email têm taxas de resposta visivelmente piores do que as mistas.

O que fazer quando o cliente desaparece de vez?

Enviar um email de encerramento: curto, sem ironia, a dizer que vais deixar de insistir e que ficas disponível. É a mensagem com melhor taxa de resposta de toda a cadência, porque dá uma saída limpa a quem estava a evitar dizer não, e cria um prazo real para quem estava indeciso.